terça-feira, 5 de abril de 2011

Volta a Terras de Santa Maria

Com partida e chegada a São João de Ver, numa ligação de 141 quilómetros, esperava-se uma etapa com inicio muito rápido, pois a parte inicial sem grandes dificuldades era propícia a várias tentativas de fuga. Só ao quilómetro 50 a pelotão deixou um grupo seguir na dianteira, visto que todas as equipas estavam representadas na fuga. Naturalmente que isso não era do agrado de todos, pois havia equipas com elementos perigosos na frente. Sendo assim começou a ser feita a perseguição no pelotão. Com as dificuldades do percurso e a desorganização na frente da corrida, aos poucos os elementos da frente iam regressando ao ao pelotão. Na última montanha do dia, todas as tentativas de fuga foram anuladas e era em pelotão compacto que se iria discutir a etapa, não fosse uma queda já nos últimos 2 quilómetros que quase me arredou da discussão e que tirou a oportunidade de discutir a alguns elementos. Num esforço suplementar, reentro no grupo principal já dentro do último quilómetro e tento arrancar directamente para o sprint. Já num último esforço e com a ajuda do meu colega Enrique Salgueiro consigo escapar a outra grande queda dentro dos 200 metros finais e finalizar no 3º posto




Na dupla jornada de domingo, tínhamos pela manhã um contra relógio colectivo de 16 quilómetros, no qual a minha jovem equipa conseguiu um 6º posto final, que eu penso ser um bom resultado, visto a inexperiência de alguns elementos devido a sua juventude neste tipo de exercício, pois era a primeira vez que o faziam.


O famoso circuito do Castelo no Centro de Santa Maria da Feira, com 10 passagem pela meta, era o palco final de todas as decisões, numa corrida sempre aberta e disputada. As tentativas de fuga foram uma constante, com a equipa de Tavira sempre no comando, na defesa da sua liderança. A vitória foi discutida ao sprint, mas uma chegada demasiado dura para as minhas características, sendo o acesso ao Castelo em paralelo, tendo os últimos 500 metros em subida acentuada. Mais uma vez a minha equipa esteve em evidência, tendo o Celestino ficado à porta da vitória, com um 2º lugar, ainda assim fiquei-me pelo 10º lugar na etapa e em 14º na classificação geral.
Fotos: Joana Cardoso e Sandra Correia

quarta-feira, 30 de março de 2011

GP Credito Agrícola – Costa Azul

130 Ciclistas de 17 equipas estavam à partida para o GP Internacional Credito Agrícola, para percorrer os 465 quilómetros na região da Costa Azul.

A 1ª Etapa percorrida entre a Quinta do Conde e Setúbal, poderia ser a etapa mais decisiva para a classificação geral, pois tinha uma passagem pelo alto da Serra da Arrábida a menos de 15 quilómetros da meta final. Tinha como objectivo passar o mais na frente possível, não só para poder discutir a etapa, mas também para não ficar arredado de poder lutar pela geral final. Assim foi, apesar de passar no 2º grupo no prémio de montanha da Arrábida, consegui encostar a frente da corrida na descida final. Já dentro dos últimos 500 metros deu-se uma queda que me obrigou a uma travagem, o que me tirou da luta do sprint. Apesar do incidente cheguei no 9º lugar com o mesmo tempo do vencedor, o espanhol Jon Aberasturi (Orbea).


Santiago do Cacém e Ourique foi a ligação que se seguiu. Numa etapa sem grandes dificuldades, adivinhava-se uma chegada em pelotão apesar de a chegada ser numa curta rampa. Houve uma boa colocação por parte da minha equipa no quilómetro final, principalmente na última curva, na entrada dos últimos 200 metros da rampa final. O trabalho do meu colega Enrique Salgueiro, teria sido perfeito, não fosse o Russo Alexey Tsatevich (Katusha), passar pelo Celestino Pinho e por mim nos metros finais, ficando-nos pelo 2º e 3º posto, respectivamente, restando-nos a vitória por equipas na etapa.


A decisão seria entre Sines e Grândola, as metas volantes davam bonificações e tive de tentar amealhar todos os segundos, pois ainda era possível a vitória. Consegui conquistar 4 segundos nas metas volantes, mas precisava de mais, e apostei tudo na chegada final. Talvez tenha ficado “bem colocado demais” pois a 350 metros já ia na frente do pelotão quando ouvi um queda mesmo atrás de mim, e pensei que não podia hesitar. Se abranda-se corria o risco de ficar fechado com os que vinham de trás, arranquei e dei tudo, mas não foi suficiente. A 50 metros estava a ser passado, fiquei-me pelo 8º lugar na etapa, e com o 4º lugar da Classificação Geral Final, que visto o nível da competição é muito bom, não só para mim, mas para toda a equipa, conseguindo ainda colocar o Celestino Pinho no 5º Lugar da Classificação Geral e o 2º lugar por equipas. Sendo a minha equipa uma Equipa de Clube e lutando de igual com equipas Profissionais Continentais como o caso da Rabobank, Katusha ou Orbea, são resultados muito prestigiosos.




Geral Individual Final
1º Filipe Cardoso (Barbot-Efapel), 10h53m13s
2º Samuel Caldeira (Tavira-Prio), a 9s
3º Jon Aberasturi (Orbea), a 11s
4º Bruno Saraiva (Louletano/Loulé Concelho), a 15s
5º Celestino Pinho (Louletano/Loulé Concelho), a 17s
6º Luís Afonso (Liberty Seguros/SM Feira), mt
7º Wilco Keldermen (Rabobank), a 19s
8º Hugo Sabido (LA-Antarte-Rota dos Móveis), mt
9º Hélder Oliveira (Onda-Boavista), a 20s
10º Daniel Mestre (Tavira-Prio), a 21s

segunda-feira, 21 de março de 2011

Troféu Zamora

Com partida e chegada a cidade de Zamora, tivemos 98 quilómetros de percurso. Sendo o pelotão composto por 180 ciclistas, era normal as fugas não resultarem, pois havia sempre alguma equipa descontente com a situação de corrida. A velocidade e as dificuldades do percurso, apesar de não muito selectivo, ia deixando marcas, e com o aproximar da meta, o grupo ia reduzindo, com um grande trabalho por parte dos meus colegas, que sempre me levaram bem colocado, e que iam eliminando diversas tentativas de fuga. A cerca de 5 quilómetros da meta uma ligeira subida serviu para a equipa Russa destronar um ataque, que deixou apenas 15 ciclistas com possibilidade de discutir a vitória. Conseguindo ir no ritmo do grupo da frente, sabia que o maior perigo vinha da equipa de Moscovo, que levava 4 elementos na frente. Já dentro do último quilometro tive de me desdobrar em esforço para responder aos ataques mais decisivos e tentar colocar-me o melhor possível para curva final, que ficava a simplesmente 200 metros da meta. Apesar do esforço foi Leonidas Krasnov (Lokomotiv) a levar a melhor, fiquei-me pelo 2º lugar. No entanto soube-me a pouco depois de tanto esforço meu e por parte dos meus colegas, mas simplesmente os Russos estavam imbatíveis, conquistando ainda o 3º e 5º lugar.A vontade de brilhar e de fazer melhor, leva-me a continuar a trabalhar mais e procurar uma vitoria, já merecida por parte da minha equipa.

Troféu Iberdrola


147 Ciclistas representantes de 21 equipas estavam à partida para os 153 quilómetros com partida e chegada a aldeia de Muelas del Pan. Uma verdadeira clássica, com um acumulado de mais de 2000 metros. As longas rectas daquela província Espanhola na parte inicial eram propícias a muitos ataques, o que se reflecte em alta velocidade (42,3 média final). Um inicio muito rápido que se poderia ter complicado mais, caso o vento fosse mais forte, ainda assim ao quilómetro 10 um furo na minha roda traseira quase me arredava da corrida. As muitas movimentações levaram a que um grupo de 15 unidades fizesse mais de 120 quilómetros isolado na frente, mas que nunca conseguiu uma vantagem maior que 1min e 20!!! Nesse a minha equipa ia bem representada na frente com o Joel Lucas e o Enrique Salgueiro, vencedor do prémio de montanha, grupo esse que foi parcialmente alcançado depois da ultima montanha do dia, conseguindo-se isolar um Russo da Lokomotiv, que acabou por vencer a corrida. Consegui seguir no grupo perseguidor, que ainda tentava lutar pelo 3º posto, mas o final numa subida de 600mts, tornou-se longa demais para mim, tendo me restado a 6ª posição.


terça-feira, 15 de março de 2011

Volta a Albufeira

Como nas edições anteriores disputa-se em 3 etapas, sendo que a novidade deste ano era uma crono-escalada na segunda etapa.
A primeira ligação foi de Albufeira a Ferreiras em 85 quilómetros, sem grandes dificuldades de percurso, esperava-se uma chegada ao sprint, como tal esperei poder estar na discussão da etapa, a minha equipa acreditou e ajudaram-me na colocação final, talvez a chegada fosse mesmo demasiado rápida para mim, com uma recta de 1 quilometro em que a velocidade era altíssima, ainda assim as sensações foram boas e consegui um 3º posto, vitoria para Bruno Lima.

Na tarde de sábado uma crono-escalada de 3 quilómetros entre o Purgatório e a Aldeia dos Matos redefiniu a geral individual, com Sérgio Sousa a ganhar a etapa e a chegar a liderança, num tipo de prova que nada me favorece fiquei-me pela 20ª posição.


Da Guia a Albufeira era a ligação de 100 quilómetros que nos restava. Tal como no primeiro dia mais uma chegada ao sprint se adivinhada, e a partida esperava melhorar o meu 3º lugar do dia anterior, visto ser uma chegada mais complicada e que se adequa mais as minhas características, as sensações eram boas, e durante toda a etapa, não tive outro pensamento se não a chegada, não tendo de me preocupar com mais nada, mas uma hesitação nos últimos 300 metros fez com que fica-se fechado e sem hipótese de uma boa colocação, sem sequer sprintar tive de me contentar com o 9º lugar. Etapa ganha por Helder Oliveira,Geral para Sergio Sousa.



Para o próximo fim de semana espera-nos dois dias de competição por terras espanholas na zona de Zamora, há que tentar dar o melhor e continuar a procurar a vitoria.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fim de semana em cheio!

A apresentação da nova equipa do Louletano deu-se no dia 12 de Fevereiro, conta com um elenco de 13 ciclistas dos quais 5 elites: eu e o Celestino Pinho que transitamos da antiga equipa do C.C. Loulé/Louletano, Micael Isidoro (Ex. ASC/Vitória/RTL), Antonio Olmo e Enrique Salgueiro (Ex. Extremadura-Spiuk), Francisco Costa e Joel Lucas (ex-Aluvia/Valongo), Eugeniu Cozonac (Ex.Loulé/Junior), Válter Pereira, Solézio Fernandes, Augusto Gonçalves, Iuri Jorge e Sérgio Rodrigues (Ex. Tavira Sub23). Um conjunto jovem, mas que conta com qualidade suficiente para lutar pelos melhores lugares nas provas em que estaremos presentes, seja a nível de uma classificação geral quer seja na luta pela juventude. Após a apresentação chegou a hora de experimentar as novas “maquinas”, as bicicletas que nos iram levar ao longo dessas estradas, num treininho que serviu também de reconhecimento da parte final da prova de abertura.



Prova de Abertura

Com partida em Quarteira e chegada a Loulé 145 klm´s depois, e com as ascensões ao Barranco do Velho, Montes Novos e ainda a conhecida subida dos 10% já dentro dos últimos 8 quilómetros da etapa, adivinhava-se um inicio de temporada difícil, mais ainda quando as condições atmosféricas seriam de chuva e vento! Após uma fuga de 7 elementos que chegou a ter 12 minutos, a equipa do Tavira assumiu a perseguição, levando um pelotão compacto a discussão da corrida, e assim foi, junção feita e ultrapassadas as maiores dificuldades viria a ser um grupo restrito a discutir a vitoria, mas a entrada dos ultimo 2 quilómetros uma queda fraccionou ainda mais o grupo, quando a equipa do barbot dava tudo para fazer o lançamento a um dos seus corredores eis que outra queda a 500 metros da meta no difícil acesso a reta final retira a oportunidade de um grupo compacto chegar a discussão, vendo-se sozinho na frente Sérgio Sousa não mais parou até a chegada, a mim coube-me a felicidade de não sofrer nenhuma queda e dar tudo nos metros finais, acabei num honroso 2º lugar, que me deu direito ainda a vitoria no que cabe as equipas de clubes.



Convívio
Todos sabemos que a união faz a força, e também há que trabalhar nesse sentido, por isso nada melhor que no dia seguinte a prova de abertura, continuar ligado aos nossos novos colegas e partilhar treinos e actividades, fazendo um treino de aproximadamente 80 quilómetros e com direito a uma paragem para o cafezinho num ritmo calmo e descontraído, na parte da tarde foi a vez de trocar as maquinas da estrada pelas bicicletas de ginásio e fazer um spinning muito divertido, depois do reconhecimento as instalações do Louletano Desportos Club, que só por curiosidade conta com 1800 atletas!!! Divididos em dezenas de desportos como o futebol, natação, triatlo, danças, lutas….

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um passo para trás, para poder dar dois a frente???

Após a época em que certamente obtive os meus melhores resultados e que, em circunstâncias normais, não deveria ter grandes preocupações em encontrar um bom contrato numa equipa profissional, a verdade é que a “crise” está instalada no nosso país. Numa pré- época cheia de avanços e recuos em relação às equipas que poderiam alinhar em 2011 no pelotão profissional, as mexidas foram muitas, pois houve hipótese de existirem 6 equipas (mais uma que em 2010) já com ciclistas contratados e na hora da verdade apenas 4 se conseguiram manter.

Infelizmente o C.C. Loulé foi uma das equipas que não conseguiu patrocínios suficientes para se manter no escalão profissional e, com isso, eu e os meus colegas (directores, massagistas, mecânicos) vimo-nos numa situação complicada.

O ciclismo é um mundo de sacrifício e isso acompanha todos os que rodeiam a modalidade, e é com esse sacrifício e com força de vontade que Tony do Adro (Presidente do Louletano) não quer deixar morrer o ciclismo na sua terra natal, e assim, em conjunto com o ex-director desportivo do C.C. Loulé,Jorge Piedade, decidem erguer novamente o ciclismo no Louletano começando com uma equipa amadora, designada de equipa de clube. É um projecto que eu acredito que funcione. Conta com pessoas que eu já conheço, tem objectivos a longo prazo e quer pertencer já no próximo ano a uma equipa profissional e, por isso mesmo, aceitei a proposta de voltar a trabalhar em Loulé. Apesar de não pertencer ao escalão máximo das equipas portuguesas, terei a oportunidade de correr todo o ano no mesmo pelotão, pois as provas serão as mesmas excepto a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal. Quanto a mim resta-me continuar a trabalhar e tentar lutar pela discussão das provas que mais se adaptem às minhas características.

Queria também agradecer a todos os que me apoiaram e me ajudaram durante a época 2010, e que o continuarão a fazer! Obrigado